Poucas vezes discordei de Marcelo Sá Corrêa; talvez uma só. “Não entendo, Paulinho, como você não gosta de matemática. Com ela é mais fácil entender o mundo”, me disse, certa vez. Eu não entendo muito bem essa teoria (afinal, não fui aluno do Marcelo), mas tirei dela e tiro desde a última quinta-feira, um consolo. Como foi dito, fui péssimo aluno de matemática, que já me fez repetente algumas vezes. Talvez nosso amigo tivesse razão. Não pelo amor aos teoremas, às equações, às raízes quadradas, mas pela soma. E pelas subtrações. Marcelo somou amigos, carinhos, amor, solidariedade. E, durante sua permanência entre nós, tentou subtrair injustiças e tristezas. Nos últimos tempos, andava feliz da vida com o seu, o meu, o nosso Botafogo, campeoníssimo de tudo. O triunfo do Glorioso foi para ele não um tango argentino, mas um samba na voz do seu amigo querido Nelson Sargento. Porque samba também era uma de suas paixões. Por uma...
“Perder a gente não perde. Com o Mauro e o Gottardo lá atrás, a gente fica seguro. É só esperar uma chance”. A cada fim de treino em Marechal Hermes, eu ouvia essa mesma frase de Paulinho Criciúma. Era quase um mantra. Ou seria mais uma superstição? “Malandro, é muito difícil, é uma foda ganhar da gente”, me dizia Gil, o braço direito do técnico Valdir Espinosa. Lá se vão 35 anos e vivemos outros tempos. Não há mais um comprometimento dos jogadores com os clubes. Eles são uma espécie de inquilino, que aluga a casa para uma temporada. No verão, prefere a praia, No inverno, a serra. Não há mais aquele carinho pela casa própria. Naquele 1989, dirigentes – leia-se Emil! Emil! Emil! Somente Emil! –; técnico, auxiliar-técnico; jogadores; preparadores físicos; preparador de goleiros; massagistas; motoristas; seguranças; assessores, todos construíram, todos os dias, tijolo a tijolo, aquela que seria a nossa ‘Sagrada Família’ de Gaudi; a nossa Pietá de Mic...